Certas coisas acontecem com os outros e mexem tanto com minhas emoções, que parece até que foi comigo, que aconteceram. Pode parecer egoísmo me apropriar da dor alheia, pois não conheço nada tão próprio quanto a dor, podemos até imaginar a dor que o outro está sentindo, mas se compartilhamos, então já temos a nossa parcela de dor, mas é cada um com a sua.
Tenho visto umas situações que me causaram certa indignação, não posso citar nomes, nem lugares, ou posso, mas não quero, ou talvez não me importe o suficiente para fazer algo de verdade e botar a cara para bater.
Pretendo falar de Tolerância, esta que para muitos filósofos é chamada de virtude menor, uma vez que só encontra lugar onde o amor e o respeito não conseguem se impor. É o mínimo que o ser humano pode oferecer, uma situação provisória, a espera de algo melhor.
A Tolerância assume, como quase todas as virtudes, dois papéis distintos e inversos: Pode ser condenável, quando se tolera o que se deveria combater: A injustiça, a maldade, a crueldade e a própria intolerância. De outro modo, a Tolerância como virtude, nos permite olhar os outros com um pouco mais de complacência e compaixão, e tentar olhar a vida por ângulos diversos dos nossos, pois não conheço meio mais eficaz de se cometer erros de avaliação, do que julgarmos os outros por nós mesmos. E todos sabemos que o que é certo para um, pode não ser certo para outro, mas a aplicação prática disso é um exercício de altruísmo, ao qual poucos são capazes. Eu diria que a Tolerância é virtuosa, quando somos capazes de superar nossos interesses, nosso sofrimento e nossa impaciência, só valendo como tal, se em favor de outrem e nunca de nós mesmos. Pois ser tolerante quando nada se tem a perder ou quando tudo se tem a ganhar, não é tolerância é egoísmo. Da mesma forma, a tolerância com o mal que não te atinge, além de egoísmo é indiferença.
E porque digo tudo isso? Você deve estar se perguntando. Bom inicialmente, era para ser uma crítica as atitudes de uma pessoa que conheço, que vejo, tem sido intolerante com freqüência, e muitas vezes, com aqueles a quem chama de amigos, e algumas destas atitudes me aborreceram profundamente, mas infelizmente pouco ou nada posso fazer nesses casos.
Parece-me, que esta pessoa tem grande dificuldade de lidar com aquilo que não está sob seu controle e sob as quais não exerce nenhum poder. Sente-se ameaçada, e como todo animal ameaçado, ataca para se defender. Mas se defender do que? De quem? O que não percebe é que a única ameaça real na sua vida, são as suas próprias atitudes, os rancores e ódios, que têm plantado e cultivado, dentro de si, e também naqueles que são atingidos por elas. Um amigo disse num texto seu e eu concordo: ódio é um copo de veneno, que quem odeia toma, esperando que o outro morra. É a mais pura verdade, pois com sua intolerância, só faz com as pessoas se afastem, o que a torna cada vez mais infeliz. Só posso lamentar e me compadecer.
Mas como dizia, se a crítica era para outrem, agora é para mim. Pois depois de ler sobre a tolerância em O Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, percebi que se lhe falta a Tolerância como virtude, a mim, sobra como vício. Percebo que tento ser tolerante com suas atitudes, e de algumas outras pessoas também, unicamente porquê seu mal não me afeta, não ainda, e neste caso é pura indiferença. Com outras pessoas, sou tolerante por que tenho mais a ganhar, do que a perder o sendo, e neste caso, por puro egoísmo.
Para tentar esclarecer está lógica, voltarei ao início, quando falava das atitudes da tal criatura, que tanto me incomodaram e diante das quais me calei. Calei, mas queria gritar. Consenti, mas queria combater. Fui tolerante? Não sei, pois a tolerância é a virtude que cabe a quem tem o direito e o dever de combater, direito esse, que sempre acreditamos ter, mas que poucas vezes, temos de verdade. E neste caso, creio que não tenha.
Sinto-me como aqueles três macacos, cego, surdo e mudo. Finjo que não vejo, que enquanto sorri para mim, destila seu veneno, já que ele pode até me causar algum torpor, mas não há de me matar. Não ouço a minha consciência que me manda gritar, e me calo, afinal estou muda.
Para tentar esclarecer está lógica, voltarei ao início, quando falava das atitudes da tal criatura, que tanto me incomodaram e diante das quais me calei. Calei, mas queria gritar. Consenti, mas queria combater. Fui tolerante? Não sei, pois a tolerância é a virtude que cabe a quem tem o direito e o dever de combater, direito esse, que sempre acreditamos ter, mas que poucas vezes, temos de verdade. E neste caso, creio que não tenha.
Sinto-me como aqueles três macacos, cego, surdo e mudo. Finjo que não vejo, que enquanto sorri para mim, destila seu veneno, já que ele pode até me causar algum torpor, mas não há de me matar. Não ouço a minha consciência que me manda gritar, e me calo, afinal estou muda.
Mas a Tolerância é prosaica, e quase sempre provisória. É também, um limite, que não deve faltar, pois tantas vezes temos que tolerar o intolerável.
A Tolerância é a virtude conveniente, pois está sempre ao alcance de todos nós, ao contrário do amor e do respeito, que são virtudes que só estão ao alcance dos mais nobres de alma e espírito, e algumas pessoas, realmente não merecem de nós mais do que isto.
A Tolerância é a virtude conveniente, pois está sempre ao alcance de todos nós, ao contrário do amor e do respeito, que são virtudes que só estão ao alcance dos mais nobres de alma e espírito, e algumas pessoas, realmente não merecem de nós mais do que isto.
E para encerrar, o texto literal retirado de André comte- Sponville:
“Como a simplicidade é a virtude dos sábios e a sabedoria, dos Santos. Assim a tolerância é uma virtude, para aqueles que, como todos nós, não é nem uma coisa nem outra”.
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