quinta-feira, 7 de abril de 2011

AS VÍTIMAS DE REALENGO

Estamos diante de um problema de origem que se manifesta de forma contundente, se tornando impossível ignorar, como fazemos diariamente diante das mazelas sociais aos quais já nos acostumamos. A origem está na nossa formação, na violência física e psicológica cometida contra criança, na desestrura familiar, no despreparo de alguns profissionais de educação e suas instituições.
No momento estamos consternados com as nove vítimas inocentes e suas mortes INJUSTIFICÁVEIS!!! A ponto de não considerarmos que provavelmente o algoz, um dia, já foi vítima. Isso não é uma questão de ser bom o mau. Conheço pessoas, de péssimo caráter que não fariam uma barbárie como essa. Normalmente os maus são frios, racionais e inteligentes.
Esse rapaz entrou na escola procurando por professores e alunos, citando nomes de pessoas por quem nutria ressentimentos, mágoas, ainda que não justificáveis para nós. Atrevo-me, como leiga, a supor que apresentava um quadro psicótico, sobre o qual não devo especular sobre a origem, quer seja o uso de drogas, ou de violência doméstica, reação a Bulling, ou apenas algum distúrbio mental de natureza biológica. Nem adiantaria mais...
A questão circula em torno da repercussão do lamentável episódio, no imensurável sofrimento dos pais e familiares das vítimas, diante de um fato imprevisível. Nas vidas que foram ceifadas tão brutalmente. “O único consolo, é sabermos que todos estarão junto  ao pai celestial e se tornarão anjos. Já que Deus age das formas mais inesperadas”.
A verdade que devemos questionar é: POR QUÊ CHEGAMOS A ESSE PONTO? Qual a origem deste mal tão grave, que vem se abatendo sobre nós? A meu ver, a resposta cabe em uma única e conhecida palavra: EDUCAÇÃO. Não somente aquela secular que se obtém nos bancos escolares, mas principalmente, o modelo de educação aprendida no seio familiar. As representações aprendidas em casa pelos educadores e cuidadores, é necessariamente aquela que será reproduzida em sociedade, quer seja na escola, quer seja no trabalho, nas situações que exijam do indivíduo uma reação contextual.
“A criança vítima de violência doméstica aprende estratégias agressivas como sendo a maneira adequada de lidar com possíveis contrariedades e forma, assim  o repertório destas respostas na sua memória, quando se deparam com uma situação de stress, se utilizam estratégias de coping agressivas, respondendo a um ambiente que falhou em lhe oferecer alternativas para resolução de seus problemas” Psicologia: Reflexão e Crítica, 2002, 15(2), pp. 345-362 – 348.
*Copin; Lutar, competir com sucesso ou em igualdade de condições: esta é a tradução literal do verbo inglês “to cope”, cujo significado também pode ser descrito como a ação de “lidar adequadamente com uma situação”, superando as dificuldades ou limites que essa situação apresenta.
           
Chegamos ao ponto crítico, em que devemos parar de buscar os culpa no meio exterior e nos perguntarmos onde nós estamos errando, na educação das nossas crianças. Vivemos hoje as conseqüências dos equívocos cometidos no passado. E ainda que eu você estejamos fazendo a coisa certa com relação aos nossos filhos, não estamos Silentes diante dos casos de violência doméstica que nos circundam? Diante dos tropeços de uma educação privatizada, muitas vezes, disseminatórias da intolerância social? De um ensino público degradado e ultrapassado com professores desestimulados e temerosos da própria segurança? Não estamos acomodados e acostumados ao mal que não nos atinge? E por quanto tempo será que ele não nos atinge?
Devemos deixar de lado a hipocrisia e a presunção de sermos os donos da verdade, ou que estamos acima do bem e do mal. Não nos cabe julgar quem é a vítima e quem é o algoz nesta tragédia pontual.
Da tragédia social em que vivemos, eu só tenho uma certeza: Todos somos culpados! E uma dúvida: Quem será a próxima vítima?

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